quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ressalva.

Ela caminhava como se a calçada fosse dela
e, por mim, seria mesmo.
Sorria como se meu coração não estivesse em suas mãos
Ou talvez caído no esquecimento.

Não, a distãncia abranda
mas o encontro aguça.
E, no caminho, meus sonhos te buscam
e nossos olhares se encontram.

Os acordes me fazem lembrar
teu riso, tua voz,
tua beleza.

Não serão necessárias mais ressalvas.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Espelhos

Já era a segunda vez que ia começar a viver. Da primeira, só ficaram boas recordações, mas ele sabia que não era perfeito. E nem perto disso chegava. Mas essa mania de esquecer não deixava ele ficar atento aos perigos de transformar sua nova chance em uma réplica da primeira. O amor era muito forte, e era estranho ver a si mesmo em outra pessoa, sem os defeitos tão pertinentes, sem a neurose tão à flor da pele e sem as confusões e apegos que já estava cansado de sentir.
Com o plano bolado na mente e a dor no coração, a cópia bem sucedida foi trancada em um quarto escuro. Surdo aos apelos mudos de sua criação, nada desviava seu alvo. E por muito tempo, foi assim que as madrugadas voltaram. Mas, no silêncio de sua clausura, a cópia era capaz de gerar tanta revolta e tanto rancor, que ele resolveu que deixaria-a livre.
Começar de novo.
E agora, o original se encontrava diante da grande decisão, que definiria o rumo da sua segunda chance, tão almejada. Seguir os passos na areia, ou se afastar e tomar o caminho desconhecido e temido? Mas o que o espelho mostra não difere da troca de olhares, de idéias e de amores. Olhando-se bem, a falsidade que o original agora aparenta é tão forte quanto a legitimidade da cópia.
E, nesse instante, ele percebe o momento em que se tornou o que é, que apesar de mal feito, era único.
Nunca tinha sido o original, nunca deveria ter reclamado pelo que reclamou ou falado quando falou. E nunca deveria ter cometido o erro de acreditar no que não existiu, nem jamais existirá.

sábado, 25 de agosto de 2007

Photoshop

Tudo é uma questão de imagem.
Ou você acha que a escravidão no Brasil acabou em 1888?

Enquanto o futuro se preocupa qual roupa usar, o presente planeja ações emergenciais.
Ações?

Assista "Quanto vale ou é por quilo?".

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Nuvens brancas

Razões?
...o que espanta é a indiferença.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Sobre o caos

Como encarar os familiares das vítimas do desastre aéreo da TAM?

Nada que nosso presidente diga em horário nobre vai convencer a população nessa altura. Vaiado, tenta se desvencilhar das acusações nesse tiroteio político que eles se meteram.

O caos não está nos ares.

As vidas humanas não passam agora de estatísticas, quando na verdade, quem morreu foi aquele que gostava de arroz com feijão. Morreu aquela que adorava caminhar na praia. Aquele que levaria o irmão ao Maracanã. Aquela que choraria de felicidade ao ver seu filho se formando na faculdade.

E nesse jogo, os suspeitos são variados. A TAM, o piloto, o aeroporto, o governo, a montadora do avião.
O que importa encontrar um culpado?
Importa encontrar uma solução, que tire de risco as milhares de vidas que se encontram sob e sobre o céu brasileiro.
Importa iniciar as reformas.
Importa se importar.

domingo, 1 de julho de 2007

Sobre o começo do fim

Analisando por outro lado, eu já poderia ter previsto que iria acontecer tudo novamente. Porém, a capacidade de viver como se fosse a primeira vez me é dada de forma inexplicável. São clichês tão agradáveis no início que pouco importa o previsível final. Assim, entrará agora um tempo de angústia e preparação. Análise e observação do que não me foi permitido experimentar. Suas atitudes me traem, indiferentes ao que te cerca. Será que algum dia você estará ao meu lado da mesma forma que eu estou ao teu?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Sobre mais um equívoco

Antes, tudo estava fora do alcançe de meus olhos. Nunca quis saber do passado, apenas do futuro que planejava na solidão de sua presença. Ou quando sonhava ao seu lado, em um silêncio tão barulhento que sentia estar sendo descoberto. Aparentemente livre de tropeços, você caminha para outra direção, e seu olhar está desviado para outro lado. Livre de mentiras, de omições e de enganações.
Mas será que isso realmente é importante? Não importa, a esperança é insistente e teima em guiar meus passos.